Com o ano de 2026 batendo à porta, o marketing se consolida mais e mais como uma disciplina profundamente moldada pela tecnologia. Nunca se produziu tantos dados; nunca houve tantos canais disputando a atenção do consumidor; e nunca as expectativas por experiências personalizadas foram tão altas.
Esse contexto de abundância de informações, de plataformas e de jornadas possíveis coloca pressão sobre as equipes de marketing, que precisam equilibrar criatividade com eficiência operacional. Nesse cenário, o MarTech impulsionado por IA se consolida como uma peça estrutural no funcionamento das marcas.
A adoção de inteligência artificial já atingiu níveis significativos. Ainda em 2023, a Gartner fez uma previsão de que, até 2025, 63% dos líderes de marketing planejavam investir em IA generativa. Aqui estamos, em 2025, caminhando para 2026, e certamente esse número se apresentará ainda maior no próximo biênio.
Outro levantamento, o relatório The State of Martech 2025, mostra que 70% dos CMOs enxergam os agentes de IA como uma das tecnologias mais transformadoras que o marketing já viu. Esses agentes não estão apenas ampliando fluxos de trabalho, mas também estão começando a substituir processos inteiros, e 38% dos CMOs preveem que entre 16% e 50% das funções atuais de marketing serão substituídas ou reestruturadas por agentes de IA nos próximos 24 meses.
O papel da IA, das CDPs e da automação na construção de experiências contínuas
A maturidade crescente das Customer Data Platforms (CDPs) fortalece esse movimento. Nos últimos anos, o setor acelerou tanto em aquisições quanto em expansão funcional, reforçando que a unificação de dados passou a ser pré-requisito para operações eficientes. Além de somente organizar informações, as CDPs passaram a alimentar modelos de IA capazes de prever comportamentos, ajustar campanhas em tempo real e construir jornadas omnichannel sofisticadas. Isso transforma a relação entre marcas e consumidores: sai de cena a comunicação genérica; entra a experiência sob medida, contextualizada e contínua.
Os resultados começam a aparecer de forma mensurável. Relatórios globais indicam que a automação de marketing combinada com IA pode gerar retornos superiores a cinco dólares para cada dólar investido, além de aumentar taxas de conversão e engajamento digital. A hiperpersonalização, apoiada por modelos generativos que avaliam contexto, histórico e comportamento em segundos, permite que marcas ofereçam recomendações e mensagens com precisão semelhante à das plataformas nativas de tecnologia.
E indo além da hiperpersonalização, o próximo salto será o marketing preditivo ético. Em 2026, não bastará antecipar desejos individuais; será necessário prever comportamentos coletivos e alinhar campanhas a valores sociais, ambientais e culturais.
A IA permitirá que as marcas não apenas respondam ao consumidor, mas também liderem movimentos de consumo consciente, equilibrando o crescimento com impacto positivo. Essa é a fronteira onde tecnologia deixa de ser ferramenta e passa a ser um propósito.
Claro que tudo tem dois lados e, ao mesmo tempo em que vivenciamos tamanho crescimento, o avanço tecnológico traz desafios. A fragmentação de dados ainda é um obstáculo para muitas organizações, que precisam lidar com separações, inconsistências e sistemas legados. A adoção interna também é um ponto sensível: além de implementar ferramentas, é necessário criar cultura, treinar equipes e estabelecer governança para que o potencial se converta em prática.
Mais do que ganhos de eficiência, o avanço da inteligência artificial no marketing redefine também a dimensão humana das relações. A tecnologia não apenas otimiza processos, mas cria condições para fortalecer a confiança entre marcas e consumidores.
Quando dados e algoritmos são usados de forma transparente e responsável, cada interação deixa de ser apenas transacional e passa a ser uma oportunidade de construir vínculos duradouros, baseados em relevância e respeito. Esse é o verdadeiro diferencial competitivo: unir inovação tecnológica com impacto humano positivo.
A nova lógica no marketing impulsionado por IA
A integração técnica entre CDPs, automação, BI, CRM e modelos de IA continua complexa e exige planejamento cuidadoso. E, em um momento de maior regulação global, equilibrar personalização e privacidade tornou-se um movimento fundamental. A transpar ência no uso de dados e o consentimento explícito dos consumidores são agora inseparáveis dentro da estratégia.
Mesmo assim, o movimento é inequívoco e sem volta. O marketing de 2026 será guiado por dados e inteligência artificial, e empresas que não caminharem nesse ritmo podem perder espaço. Investir agora significa criar bases sólidas para lidar com a velocidade das mudanças do mercado, responder a novas exigências regulatórias e atender consumidores que esperam experiências mais claras, úteis e personalizadas.
O MarTech impulsionado por IA marca uma nova forma de relacionamento entre marcas e pessoas. A tecnologia permite compreender melhor cada contexto, oferecer interações que fazem sentido no momento certo e fortalecer a troca de valor ao longo da jornada. Ao incorporar essa lógica ao dia a dia, as empresas criam condições para evoluir de maneira consistente e manter vínculos mais duradouros em um cenário digital que muda o tempo todo.
A pergunta não é mais é se sua empresa vai adotar IA (ou não), mas se conseguirá fazê-lo rápido o suficiente para não perder relevância.
O futuro do marketing não será apenas tecnológico, mas humano e estratégico. É nesse equilíbrio que construiremos relações duradouras.
Fonte: https://itforum.com.br/colunas/marketing-impulsionado-ia-2026
